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RECANTO DE PÁZ

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

PERDÃO FILHINHO!

" Escute, filhinho.  Esta noite, vendo voce adormecer com a mãozinha no rosto e os cabelos espalhados pela testa, sinto-me horrivelmente envergonhado. Por isso é que fugi para o seu quarto, para estarmos sozinhos, os dois. Ainda há pouco, estava lendo o jornal na sala, quando, de repente, o remorso me dominou, e vim, como um criminoso, parar aqui, perto de sua cama. Sabe o que pensava? Em todas as coisas que hoje me irritaram tanto. Esta manhã, quando voce se preparava para a escola, eu o repreendi severamente porque voce lavara o rosto como um gato. Depois, eu o pus de joelhos, porque voce não engraxara os sapatos. E fiz um escândalo, porque voce derrubou leite no chão. Na hora do almoço, ainda achei jeito de censurá-lo: "Voce vai entornar o copo. Não ponha os cotovelos na mesa. Voce está pondo muita manteiga no pão". Pouco depois, quando eu entrava no carro, voce da porta, abanou a mãozinha, dizendo: "Até logo Papai!"  E eu respondi: "Endireita os ombros. Voce acaba corcunda!".  E a coisa continuou. De tarde, vendo-o jogar bola de gude com os seus amigos no pátio, olhei os seus joelhos; voce tinha rasgado a calça! Aproveitei a oportunidade para humilhá-lo diante de seus amigos, ordenando-lhe que fosse andando na minha frente, para casa. "Roupas custam caro. Se voce tivesse de comprá-las, teria mais cuidado". Imagine, meu bem, da parte de um pai, que lógica mais estúpida. E esta noite, enquanto eu estava lendo, voce apareceu timidamente na porta da sala, com uma carinha passada. Levantei os olhos do jornal, aborrecido por me interromper. Voce hesitou um instante. "O que é que voce ainda quer comigo? Resmunguei. Voce respondeu: "Nada Papai!" E então se atirou no meu colo, passou os bracinhos em torno do meu pescoço e meu beijou uma, duas, três vezes...Não sei mais...Com um amor que só Deus podia ter posto no seu coração. E voce logo se foi, escada acima. Pois bem, meu filho, só alguns minutos mais tarde o jornal caiu-me das mãos, senti aquele arrepio no coração e tomei consciência do meu terrível egoísmo. Que foi que o hábito fez de mim? O meu hábito de queixar-me, de reclamar, de repreender e tudo isso porque voce é apenas uma criança! No entanto, não era por falta de amor, mas porque eu esperava demais da sua idade! Eu o media com a minha escala e estou bem triste comigo, pode crer. Prometo que, a partir de amanhã, nem meus aborrecimentos prevalecerão sobre o amor que tenho por voce. E darei a voce todo o tempo que me pedir.  Perdão, filhinho. Boa Noite, meu bem.  


                                                             (Mananciais - Sementes do bem)




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